Poesia Negra incomoda. Ah! Como poesia negra incomoda... As pessoas relutam, disfarçam, mas é claro que se incomodam.
Elas querem uma poesia universal. Universal de quem? Pra quem? De onde? E por quê?
Kafka, Drummond, Bourdieu, todos eles (homens) não falaram de um lugar? De uma cultura? De uma visão de mundo?
É por isso que insisto: Não quero ser universal! Sou daqui, local.
Falo de um Castelo, nem tão branco, é fato. De uma Salvador, que nem sempre salva... ...
sábado, 6 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010



Por Uilians Souza e Sérgio Bezerra
O Sextas Poéticas é um encontro quinzenal que acontece para recitar, cantar, contar e viver a arte em suas várias possibilidades; capitaneado por um grupo de estudantes do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia e uma de pedagogia, da Uneb, no Pátio do IL/UFBA. O ‘Sextas’ ocorre pontualmente às 18 horas, obviamente às sextas-feiras.
Em...
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010



Aquela brusca notícia, me fez parar e refletir por um instante, o qual pareceu mais uma eternidade. Senti um aperto no peito e, ao mesmo tempo, um desânimo que me tomava todo o corpo. A partir dali, entrei numa espécie de túnel do tempo e me lembrei do passado com tanta intensidade, que chegava quase que a reviver aqueles momentos de infância, não tão distantes, nos quais eu ouvia aquela rouca...
sábado, 7 de agosto de 2010


(Título dado em homenagem e respeito à Marise de Santana)
Fixo olhar ao longe e me vejo perto. Agachando-me, quase me arrasto. Nesse instante, vejo uma caixa de madeira retangular.
Alguns o chamam de baú e
usam-no para guardar
livros, roupas e jóias.
No meu, guardo apenas espantos,
medos, angústias.Ajeitando-o, de um lado para outro,acabo por abri-lo.Fazendo isso, ouço gritos medrosos.Vejo caras famintas de animais (humanos?)
Olhando pro céu,
visualizo...
sexta-feira, 11 de junho de 2010



Meus olhos entravam nos seus e se perdiam.
Às vezes, saíam, pulavam, desciam...
Desciam pela sua nuca e pescoço.Paravam em seus seios fartos peitos
Sensação que me transbordava a bocaPromovendo pensamentos insanos
De repente, voltava a mim, sacudia o que controla meu corpo, olhava o entorno e me compunha...
um tanto perdido naquele espaçodepois de já ter me encontrad...
quinta-feira, 10 de junho de 2010



Não consigo. Não consigo ver essa foto e não me indignar. Não me revoltar enquanto adepto do candomblé. Enquanto periférico, enquanto negro que sou. Me vem um sentimento forte de tristeza e, ao mesmo tempo, um sentimento de que é preciso lutarmos para que coisas como essas deixem de acontecer em nossa cidade, nosso estado, nosso país e_ por que não?_ em nosso mundo! Tem fé!! Tenho fé de...
quinta-feira, 27 de maio de 2010


Numa noiteou diaNuma praça, rua,ou casa
Olhos vidradostestas crispadasAs mãos seguram o queixo,joelho e face
Ali, um artista famosoou pessoa comumse exprimese revelase exibe
Seu corpo gira,se ergue, se curva
Seus dedos e mãos se mexem, miram o céu,o chão, a você...a mim
Suas pernas pulamSeus pés pisam fortecomo suas palavras
Ali, ele é único.Ele é ele.Ele é outros.E se transforma em meninomulheranimal
Ali, se é novo, é velho.Se velho, novo.Se um ou outros,poet...
segunda-feira, 17 de maio de 2010


É muito fácil!!!
Muito fácil falar de ressentimento com a barriga cheia.
É muito, mas muito fácil falar de fragmentação da identidade
quando não se tem a necessidade de se afirmar, pois se está do outro lado.
É muito fácil ser cético
quando não se sente no corpo as vibrações de outro corpo.
É muito fácil ser homofóbico
quando não se entende os porquês do outro.
É muito...muito difícil nos afirmarmos enquanto racistas, machistas e tantos outros "-istas" existentes.&nb...
terça-feira, 30 de março de 2010


As mãos se tocam
Os olhares se cruzam
Repentinos arrepios se registram
Corpos trêmulos se apertam,
se apertam
Sente-se o outro.
Sente-se a si.
A emoção se eleva
Os olhos se fecham
Enfim, um beijo,
dois, três...
Naturalmente,
num movimento libertário,
movem-se os braços e
as pernas.
Roupas ao longe,
sente-se o outro.
Sente-se a outra.
Peles molhadas,
carinhos intensos,
Perfeito encaixe,
Balanços marítimos,
Abstração concreta.
A língua lambe os lábios,
lambe a nuca, lambe.
Os dedos tocam e tocam...
terça-feira, 23 de março de 2010


Amazonenses sementes
nordestina cera sendo,
enfeita menino, menina
chinesas plásticas colorem
as coreanas brilhantes reluzem
forma-se um círculo
em segredo,
com segredo,
pro sagrado
Em roda samba
capoeirando na ginga
do asé, mandinga
O Mandingo
Amuleto pra uns
enfeitando outros
é fashion
As brancas vermelhas
guerreiras pacíficas
Amarelas azuis
trapaçantes justiceiras
de segunda a sexta, sagradas
de domingo a sábado
às vezes profanam
respeito e fé,
tem asé
e ousadia
da África à Bahia,
Guia....
quarta-feira, 17 de março de 2010


Eu vi.
Eu vi um homem barbudo,
desanimado,
corpo curvado
sem olhar nos olhos...
Suas sujas roupas
apontavam o descaso
pela vida não vivida...
Aquele homem comia devagar
com sua descrença
na crença de um mundo melhor.
Com seu cansaço
daquela vida de trapos...
e sua entrega
perante a vida
tão dura e sem saída.
Aquele negro homem
número
abria o saco,
levantava o garfo,
comia sem gosto
engolia o desgosto
da rua mais sua.
que minha...
Coletava arroz, feijão,
de tão junto amigo irmão
e comia, comia,
apenas...
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