domingo, 20 de janeiro de 2013

Ir em busca de terra
onde só tem asfalto
cruzando fronteiras em bairros periféricos
Dom Avelar-Castelo

Fazer da mão uma peneira
deixando o barro passar por entre os dedos
abandonando pedras, bagaços

Molhar as plantas em dias alternados
Perceber cada milímetro crescido
Cada virada em direção ao Sol
Cada gesto, cada história

Hospedavam-se como rainhas
numa garrafa pet cortada ao meio
numa vasilha de manteiga
ou num caqueiro de loja de bairro

Sentiam-se bem
Faziam bem
Ornamentavam, protegiam
Unindo sempre os contrários

De Ogum as espadas fechavam tudo
Pareciam tocar o céu as de Oxóssi
de tão altas, compridas...
finas

Os alfinetes caídos como tranças
num verde bonito, escuro
quase tocavam o chão

O Jasmim roubou a cena
quando mostrou a flor amarela e delicada
E a felicidade não coube em nós

2 comentários :

  1. Que os gestos desse jardim poético continuem gerando jasmins de felicidade!
    Jocevaldo Santiago

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