quinta-feira, 4 de agosto de 2011


Hipo
Cri.
Sea.

 Fingimento.
Fingimuito.
Faminto


Dezcaso
Maltrato.
 Nada por acaso.

Desdém.
Dezamores.
Desgosto.

Ego sum!
Tenho.
Posso.

Dez(mata)muito.
Polui(são).
Corrupsou.

Barraco.
Taipa.
Madeirit
Ás-faltos ausentes

Fome.
Hospital.
(Corre)dores!
E mortes.

Funerárias
E brigas
E corpos.

Viva!
Viva!
 Não se tem Alternativa!

Morram todas elas!
Todas as más!
Ah! Mas és!
Mas sois as mazelas!
da pre(tensa) humanidade!

segunda-feira, 25 de julho de 2011


Já que é pra escrever...
Não meço esforços
São poucos versos
poucos dados,
muitos fardos

(Des)cobrir!!
pra sua sorte
ou desespero
e passei a fazer
uma escrita da gente
veemente
de ateu ou crente
que crê
que quer ter
poder (de escrita )

Poder de reverter
de fazer
de saber
que há muito
essa mesma escrita
esteve a serviço de uma elite
que omite
que só transmite o que lhe é
o que lhe foi
conveniente

Não escritor...
Escrevente!

sábado, 23 de julho de 2011


Perfuro-cortante
atira-se num instante
É certeira a flecha
é certa

Não desiste
insiste
desperta

E corre
e voa
e rasga o vento
o céu
a pele

peleja
pela esquerda
deseja, 
se maneja

À direita, de tudo,
nada de bandeja
porta estreita,
luz na greta
ginga não satisfeita

mandinga
diagonal-
mente
transversal
é horizonte a tal
inverte o vertical

Essa flecha-espada
índio-africana
vai
e voa
e vem
repleta de palavras ácidas
em chama
Que chama!
ferindo o espanto
dos que nem de perto
conseguem vê-la.

sábado, 4 de junho de 2011

Era final da década de noventa. Não me lembro ao certo. Noventa e sete ou oito talvez. Ali, uma comunidade do bairro de Castelo Branco, na cidade do Salvador, não diferente de outras tantas pelo país, adolescentes entre 15 e 16 anos, com tempo livre e que usavam-no de várias formas. Uma delas: ouvir Racionais Mc’s num mini sytem qualquer.
 A música: Mágico de Oz, a qual dizia assim: “Comecei a usar pra esquecer dos problemas. Fugi de Casa. Meu pai chegava bêbado e me batia muito. Eu queria sair desta vida. O meu sonho? Estudar, ter uma casa, uma família [...]”. Pronto. Está pintado o quadro.
Alguns anos se passaram e, então, estamos no comecinho da segunda década, do segundo milênio. Era uma sexta-feira, também, Salvador. A manhã estava chuvosa e fazia muito frio na cidade. Após engarrafamentos e longas horas em pé no trajeto, acabei por chegar ao Salvador card. Nem Iguatemi, nem Comércio. Lapa.
Tudo ocorria aparentemente normal, até que aquela imagem me fisgou. Ela queria dizer algo e me disse mais do que muitos dos textos teóricos abstratos que já tinha lido na “minha escolinha de terceiro grau”. Aquela imagem veio atravessada por uma fala. Fala de criança. Fala de menino. Essa que me arrastou pra realidade subitamente, sem pedir permissão. Foi curta (não grossa), mas sincera. E ele disse: “Ô, tio me dá um dinheiro pr’eu tomar um café”. Não hesitei e levei a mão ao bolso. Depois disso, abri a mochila e ele me guiava: “Aqui tem, ó, tio...”. E lá fui eu...
Seu café: salgado de milho. Falei, então: isso não dá sangue não, rapaz. Como resposta, ele disse: “Então você escolhe, tio”. Mas não tinha nada com "sustânça" ali. Apenas guloseimas. 
Vi um biscoito recheado e disse a moça: dá esse a ele, por favor. Ele agradeceu e saiu. As pessoas olhavam-no de formas múltiplas: medo, pena, nojo. Ele não foi longe. E ali mesmo, próximo à fila do ônibus, deitou-se em sua cama, nem tão macia: alguns papelões e um pedaço de colchão sem forro. 
Suas poucas roupas, um capote meio sujo e uma calça, não davam conta da frieza e ele estremecia. Deitado, mordia o biscoito com os olhos fechados como se estivesse saboreando-o. As pessoas continuavam a olhá-lo com aquele olhar de “Ô! coitado!”. Não resisti à cena e fui até ele: E aí, rapaz, você é daqui mesmo ou do interior? Ele me respondeu: “Sou daqui”. Qual bairro?, pergunto. “São Cristovão”, ele responde.  Sempre curto nas palavras, parecia não querer conversa.  Ainda assim, fiz mais algumas perguntas: Qual seu nome? E quantos anos você tem?  “Edcarlos. Onze”. Nesse momento, aqueles olhares também se voltavam pra mim. 
Por que saiu de casa?, perguntei. E a resposta veio como uma lâmina: “A cachaça de meu pai”. Fiz ainda uma última pergunta e essa me desestruturou completamente: E sua mãe? “Não tenho mãe...”. Sem graça, fui saindo de mansinho e ele continuava lá, encolhido, degustando aquele biscoito seco, como se fosse a melhor coisa do mundo. 
Fiquei pensativo o resto dia. E ficava mais abalado, quando lembrava que aquele era apenas um caso dentre milhões em todo o país. Na minha impotência diante de tal situação no momento, me limitei a escrever essas poucas linhas como forma de lembrar daquela criança, mais um filho da pátria que o pariu.

Uilians Souza
Salvador, 21 de maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011


E Abdias Nacismento se foi...
Um homem,
várias histórias....
de lutas,
batalhas e glórias...

Deixou saudades...
vontade de mudança,
nessa "dança" nossa de cada dia
nem tão relaxante e inebriante assim... 

quinta-feira, 19 de maio de 2011




A noite estava fria. Eu tentava fazer uma apresentação, um relatório de Estágio I. Não saía. Não tinha jeito. Eu me auto-boicotava. Olhava email, facebook e o MSN não largava o osso. Pra ouvir, naquele dia frio, me achava um pouco down e, então, o repertório não variou muito, continuava sempre com a mesma temática: social-racial, racial-social, variando apenas algumas batidas: Soul, Reggae, Jazz, Rap. O mídia player se encarregava de tocar as canções de BOB, GOG, Sabotage, O Rappa e Ayo. E eu viajava...saía de mim e continuava no mesmo lugar.

sábado, 30 de abril de 2011

Por falar em gênero,
me lembrei da carta de minha namorada.
Um pouco suja,
velha,
rasgada.

Por falar em gênero,
e-mail pra responder,
relatório a fazer
e currículo a preencher...

Lembrei.
Lembrei-me então da história a esquecer,
da crônica a dizer,
do poema a desenvolver... 

Me lembrei do bilhete na porta da geladeira,
de deitar na esteira,
de falar besteiras.
Por falar, é oral; é direto o tal

Por falar em gênero, me calo.
Me lembrei do testamento do meu pai na gaveta...

Uilians Souza

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Hoje, Sextas Poéticas no Ilufba às 18h, não percam! Convidado da noite: Nelson Maka! Organizador do Blackitude! E do Sarau Bem Black!


segunda-feira, 18 de abril de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros. Com essa frase, de Che Guevara, fora de contexto, inicio aqui, acho eu, um dos textos mais dramáticos e tristes que já escrevi.

quarta-feira, 30 de março de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011


        Naquela noite de chuva, ao encontrá-lo na sala de bate-papo virtual, eu, ainda empolgado com a primeira experiência, disse-lhe:_ hoje dei uma palestra sobre o dia internacional de luta pela eliminação da discriminação racial.  Ele, do outro lado, como numa espécie de desdém, apenas usou uma interjeição e, logo após, completou seu discurso, dessa forma: _Hum! Sei, mas hoje foi o dia de luta contra a chuva, as gotas que caem na nossa cabeça inundando nossas casas, almas e esperanças... Aquilo foi poético. Mas, ao mesmo tempo, dolorido de ler...

          Várias foram as imagens que vieram a minha mente. E rapidamente compreendi que aquela curta fala se referia, a nada menos, que a todas as formas de teorias e discursos sem prática. E que, muito além daquela falação, a realidade era dura, era outra e real... E o pior, pude perceber que naquelas curtas linhas, havia um contra-discurso, o qual mostrava claramente que, na maioria das vezes, essas falas e palestras disso e daquilo não conseguem chegar na ponta que mais precisa e, quando chega, de quê adianta?

sexta-feira, 11 de março de 2011

Que seja violenta minha poesia
Que seja ferro e  fogo
pau e pedra

Que seja dor,
quando preciso for
Que seja real
Ferozmente natural

Que seja do gueto,
periferia ou favela
que assim seja ela

Quero minha poesia
não vazia
cantando outra Bahia
Que fale de quem mora nas marquises,
e que não pode ter crise
essa poesia sem psicólogo

Que fale da paisagem
nem tão verde
aquela cinzenta e amarronzada
do condomínio bloco à vista

Uma poesia que pega ônibus
e pula janela
poesia que mergulha embaixo do torniquete
pula a borboleta
e pega traseira por falta de transporte

Uma poesia que cata lata e lixo
que o diga  Carolina
Essa poesia que cata resto de feira
Que é doméstica. Não mais mucama

Uma poesia escrita a sangue
Aquele derramado todos  
dias nas vielas, ladeiras e escadas
fruto de vários tipos de violência
e mostrado como show nos canais de tv

Uma poesia que bate atabaque
e come de mão
que toma a benção 
e bate cabeça
uma poesia de pés no chão