segunda-feira, 25 de julho de 2011


Já que é pra escrever...
Não meço esforços
São poucos versos
poucos dados,
muitos fardos

(Des)cobrir!!
pra sua sorte
ou desespero
e passei a fazer
uma escrita da gente
veemente
de ateu ou crente
que crê
que quer ter
poder (de escrita )

Poder de reverter
de fazer
de saber
que há muito
essa mesma escrita
esteve a serviço de uma elite
que omite
que só transmite o que lhe é
o que lhe foi
conveniente

Não escritor...
Escrevente!

sábado, 23 de julho de 2011


Perfuro-cortante
atira-se num instante
É certeira a flecha
é certa

Não desiste
insiste
desperta

E corre
e voa
e rasga o vento
o céu
a pele

peleja
pela esquerda
deseja, 
se maneja

À direita, de tudo,
nada de bandeja
porta estreita,
luz na greta
ginga não satisfeita

mandinga
diagonal-
mente
transversal
é horizonte a tal
inverte o vertical

Essa flecha-espada
índio-africana
vai
e voa
e vem
repleta de palavras ácidas
em chama
Que chama!
ferindo o espanto
dos que nem de perto
conseguem vê-la.

sábado, 4 de junho de 2011

Era final da década de noventa. Não me lembro ao certo. Noventa e sete ou oito talvez. Ali, uma comunidade do bairro de Castelo Branco, na cidade do Salvador, não diferente de outras tantas pelo país, adolescentes entre 15 e 16 anos, com tempo livre e que usavam-no de várias formas. Uma delas: ouvir Racionais Mc’s num mini sytem qualquer.
 A música: Mágico de Oz, a qual dizia assim: “Comecei a usar pra esquecer dos problemas. Fugi de Casa. Meu pai chegava bêbado e me batia muito. Eu queria sair desta vida. O meu sonho? Estudar, ter uma casa, uma família [...]”. Pronto. Está pintado o quadro.
Alguns anos se passaram e, então, estamos no comecinho da segunda década, do segundo milênio. Era uma sexta-feira, também, Salvador. A manhã estava chuvosa e fazia muito frio na cidade. Após engarrafamentos e longas horas em pé no trajeto, acabei por chegar ao Salvador card. Nem Iguatemi, nem Comércio. Lapa.
Tudo ocorria aparentemente normal, até que aquela imagem me fisgou. Ela queria dizer algo e me disse mais do que muitos dos textos teóricos abstratos que já tinha lido na “minha escolinha de terceiro grau”. Aquela imagem veio atravessada por uma fala. Fala de criança. Fala de menino. Essa que me arrastou pra realidade subitamente, sem pedir permissão. Foi curta (não grossa), mas sincera. E ele disse: “Ô, tio me dá um dinheiro pr’eu tomar um café”. Não hesitei e levei a mão ao bolso. Depois disso, abri a mochila e ele me guiava: “Aqui tem, ó, tio...”. E lá fui eu...
Seu café: salgado de milho. Falei, então: isso não dá sangue não, rapaz. Como resposta, ele disse: “Então você escolhe, tio”. Mas não tinha nada com "sustânça" ali. Apenas guloseimas. 
Vi um biscoito recheado e disse a moça: dá esse a ele, por favor. Ele agradeceu e saiu. As pessoas olhavam-no de formas múltiplas: medo, pena, nojo. Ele não foi longe. E ali mesmo, próximo à fila do ônibus, deitou-se em sua cama, nem tão macia: alguns papelões e um pedaço de colchão sem forro. 
Suas poucas roupas, um capote meio sujo e uma calça, não davam conta da frieza e ele estremecia. Deitado, mordia o biscoito com os olhos fechados como se estivesse saboreando-o. As pessoas continuavam a olhá-lo com aquele olhar de “Ô! coitado!”. Não resisti à cena e fui até ele: E aí, rapaz, você é daqui mesmo ou do interior? Ele me respondeu: “Sou daqui”. Qual bairro?, pergunto. “São Cristovão”, ele responde.  Sempre curto nas palavras, parecia não querer conversa.  Ainda assim, fiz mais algumas perguntas: Qual seu nome? E quantos anos você tem?  “Edcarlos. Onze”. Nesse momento, aqueles olhares também se voltavam pra mim. 
Por que saiu de casa?, perguntei. E a resposta veio como uma lâmina: “A cachaça de meu pai”. Fiz ainda uma última pergunta e essa me desestruturou completamente: E sua mãe? “Não tenho mãe...”. Sem graça, fui saindo de mansinho e ele continuava lá, encolhido, degustando aquele biscoito seco, como se fosse a melhor coisa do mundo. 
Fiquei pensativo o resto dia. E ficava mais abalado, quando lembrava que aquele era apenas um caso dentre milhões em todo o país. Na minha impotência diante de tal situação no momento, me limitei a escrever essas poucas linhas como forma de lembrar daquela criança, mais um filho da pátria que o pariu.

Uilians Souza
Salvador, 21 de maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011


E Abdias Nacismento se foi...
Um homem,
várias histórias....
de lutas,
batalhas e glórias...

Deixou saudades...
vontade de mudança,
nessa "dança" nossa de cada dia
nem tão relaxante e inebriante assim... 

quinta-feira, 19 de maio de 2011




A noite estava fria. Eu tentava fazer uma apresentação, um relatório de Estágio I. Não saía. Não tinha jeito. Eu me auto-boicotava. Olhava email, facebook e o MSN não largava o osso. Pra ouvir, naquele dia frio, me achava um pouco down e, então, o repertório não variou muito, continuava sempre com a mesma temática: social-racial, racial-social, variando apenas algumas batidas: Soul, Reggae, Jazz, Rap. O mídia player se encarregava de tocar as canções de BOB, GOG, Sabotage, O Rappa e Ayo. E eu viajava...saía de mim e continuava no mesmo lugar.

sábado, 30 de abril de 2011

Por falar em gênero,
me lembrei da carta de minha namorada.
Um pouco suja,
velha,
rasgada.

Por falar em gênero,
e-mail pra responder,
relatório a fazer
e currículo a preencher...

Lembrei.
Lembrei-me então da história a esquecer,
da crônica a dizer,
do poema a desenvolver... 

Me lembrei do bilhete na porta da geladeira,
de deitar na esteira,
de falar besteiras.
Por falar, é oral; é direto o tal

Por falar em gênero, me calo.
Me lembrei do testamento do meu pai na gaveta...

Uilians Souza

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Hoje, Sextas Poéticas no Ilufba às 18h, não percam! Convidado da noite: Nelson Maka! Organizador do Blackitude! E do Sarau Bem Black!


segunda-feira, 18 de abril de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros. Com essa frase, de Che Guevara, fora de contexto, inicio aqui, acho eu, um dos textos mais dramáticos e tristes que já escrevi.

quarta-feira, 30 de março de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011


        Naquela noite de chuva, ao encontrá-lo na sala de bate-papo virtual, eu, ainda empolgado com a primeira experiência, disse-lhe:_ hoje dei uma palestra sobre o dia internacional de luta pela eliminação da discriminação racial.  Ele, do outro lado, como numa espécie de desdém, apenas usou uma interjeição e, logo após, completou seu discurso, dessa forma: _Hum! Sei, mas hoje foi o dia de luta contra a chuva, as gotas que caem na nossa cabeça inundando nossas casas, almas e esperanças... Aquilo foi poético. Mas, ao mesmo tempo, dolorido de ler...

          Várias foram as imagens que vieram a minha mente. E rapidamente compreendi que aquela curta fala se referia, a nada menos, que a todas as formas de teorias e discursos sem prática. E que, muito além daquela falação, a realidade era dura, era outra e real... E o pior, pude perceber que naquelas curtas linhas, havia um contra-discurso, o qual mostrava claramente que, na maioria das vezes, essas falas e palestras disso e daquilo não conseguem chegar na ponta que mais precisa e, quando chega, de quê adianta?

sexta-feira, 11 de março de 2011

Que seja violenta minha poesia
Que seja ferro e  fogo
pau e pedra

Que seja dor,
quando preciso for
Que seja real
Ferozmente natural

Que seja do gueto,
periferia ou favela
que assim seja ela

Quero minha poesia
não vazia
cantando outra Bahia
Que fale de quem mora nas marquises,
e que não pode ter crise
essa poesia sem psicólogo

Que fale da paisagem
nem tão verde
aquela cinzenta e amarronzada
do condomínio bloco à vista

Uma poesia que pega ônibus
e pula janela
poesia que mergulha embaixo do torniquete
pula a borboleta
e pega traseira por falta de transporte

Uma poesia que cata lata e lixo
que o diga  Carolina
Essa poesia que cata resto de feira
Que é doméstica. Não mais mucama

Uma poesia escrita a sangue
Aquele derramado todos  
dias nas vielas, ladeiras e escadas
fruto de vários tipos de violência
e mostrado como show nos canais de tv

Uma poesia que bate atabaque
e come de mão
que toma a benção 
e bate cabeça
uma poesia de pés no chão

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011



E então o carnaval de Salvador se aproxima e eu, enquanto residente nessa cidade, não poderia deixar de observar toda a movimentação que se dá para que a tal “festa da carne” aconteça. Aqui vai muito mais um desabafo do que um texto literário em si (se é que é possível extrair literatura de tanta desigualdade, hipocrisia e violência). Pois bem, lá vou eu.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011


Hoje estive pensando...

Estive pensando como as coisas são engraçadas

(Leia-se: “interessantes”)
Me disseram para não adjetivar,
quando estivesse escrevendo algo,
pois “carrega demais o texto”

Fiquei a pensar: como não adjetivar?
Como não adjetivar o cabelo crespo,
encaracolado, trançado e black power da menina preta?
Como não enaltecer os lábios grossos do rapaz retinto?

Como esquecer quem são aqueles,
que estão na sarjeta,
sem tetas governamentais ou privadas
Que dormem nas marquises, viadutos e escadas?

Como não adjetivar o samba caliente,
o jeito quente, ardente e
guerreiro da negra gente?

O candomblé baiano,
o jeito africano,
o falar cantado e
estereotipado?

A religião e a poesia negras?
Os bairros pobres?
As escolas sujas?
A cidade imunda?

A universidade racista,
machista, excludente?
Como não?!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Por Uilians Souza

Até quando vamos contabilizar os casos de intolerância religiosa com relação ao candomblé neste país?  No ano de 2008, em Salvador, a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (SUCOM) destruiu parcialmente o terreiro Oyá Onipo Neto, localizado na Avenida Jorge Amado, no bairro do Imbuí; em 2010, em Ilhéus, a ialorixá Bernadete de Souza, incorporada do orixá Oxossi, foi algemada por um pelotão da Polícia Militar da Bahia e após ter ficado sobre um formigueiro, teve seu corpo arrastado por vários metros; por fim, no dia 31 de dezembro de 2010, no município de Camaçari, o terreiro Ilê Axé Iji Omin Toloyá foi invadido por um evangélico, o qual destruiu vários elementos sagrados daquele ilê e também o carro do babalorixá da casa.


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011



Eu que amo, que adoro, que te acari(cio)
Que estou e que vivo a seu lado
Que perdoou, que “machuco”
Que encanto e sou en(cantado)

Eu que grito, que anuncio aos quatro ventos...
Que ouço Vander Lee dizer “românticos são poucos”
Eu, eu que não sei o que escrever, o que dizer, o que fazer
quando estou ao seu lado

Que mudei, achei, pensei
Pensei em tudo ou quase tudo.
Que lembro, que “viajo”, que me laço e me entrelaço
em suas pernas e braços

Que me perco entre palavras,
que digo tudo e nada
Que acreditei, que quis e fiz
venho aqui dizer-te, após este preâmbulo,
a frase que você me ensinou a pronunciar:
te amo! Te amo mesmo muito, meu Amor!


sábado, 6 de novembro de 2010


Poesia Negra incomoda.
Ah! Como poesia negra incomoda...
As pessoas relutam,
disfarçam,
mas é claro que se incomodam.

Elas querem uma poesia universal.
Universal de quem?
Pra quem?
De onde?
E por quê?

Kafka, Drummond, Bourdieu,
todos eles (homens)
não falaram de um lugar?
De uma cultura?
De uma visão de mundo?

É por isso que insisto:
Não quero ser universal!
Sou daqui, local.

Falo de um Castelo,
nem  tão branco, é fato.
De uma Salvador,
que nem sempre salva...
E de uma Bahia extremamente estereotipada
que se quer revisitada_ e por que não?_ revisada.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010


Por Uilians Souza e Sérgio Bezerra

Sextas Poéticas é um encontro quinzenal que acontece para recitar, cantar, contar e viver a arte em suas várias possibilidades; capitaneado por um grupo de estudantes do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia e uma de pedagogia, da Uneb, no Pátio do IL/UFBA. O ‘Sextas’ ocorre pontualmente às 18 horas, obviamente às sextas-feiras.


Em 2009, alguns membros desse grupo reuniam-se em esteiras, sobre a grama, em frente do PAF III e à Biblioteca reitor Macedo Costa para recitar, cantar e conversar sobre poesia, arte e cultura no fim de tarde das sextas-feiras. Um dia surgiu a idéia de “entrar” no prédio com aquele encontro, ampliando-o.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

 Aperto seu corpo de uma forma arrebatadora. Tenho a intenção de que você não mais me esqueça. Passo minhas mãos pela sua cintura e subo pouco a pouco, transitando pelo meio das suas costas. Enrosco meus dedos pelos seus cabelos, segurando-os com minhas grandes e macias mãos.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010


Preta palosa...
pare, 
olhe,
pense...


Pois pra ela

com ela
é preciso pisar
pequenamente miudinho...


Pra ela 
pra sempre 
o mundo é pouco. 

Quer mais, quer muito,
quer paz e 
guerra
e se faz
mulher preta com P.


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Aquela brusca notícia, me fez parar e refletir por um instante, o qual pareceu mais uma eternidade. Senti um aperto no peito e, ao mesmo tempo, um desânimo que me tomava todo o corpo. A partir dali, entrei  numa espécie de túnel do tempo e me lembrei do passado com tanta intensidade, que chegava quase que a reviver aqueles momentos de infância, não tão distantes, nos quais eu ouvia aquela rouca e serena voz dizendo: _"Opa, Nininho!", numa espécie de saudação nos momentos em que eu passava pela frente de sua casa. Apelido esse, que adquiri ainda quando criança, mas que caiu em desuso, permanecendo apenas no meio da velha guarda da comunidade.


E lá, sempre estava ele, também sereno, a observar toda a comunidade como um tipo de ancião, apesar de em muitas ocasiões não ter sido tratado como tal, visto que, sofria de um mal que, ainda hoje, acomete a muitos negros e afrodescentes em várias partes do país: o alcoolismo; esse que muitas vezes aparece como uma "válvula de escape"; no sentido de que contribui para o esquecimento de variados  problemas diários e que acaba por causar outros, principalmente os familiares.
Seu nome: Domingos, mais conhecido como "Seu Martin da Vila", uma pessoa querida e que, com certeza, vai deixar saudades naqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo.

Asé, Seu Martin! Descanse em paz!

sábado, 7 de agosto de 2010

(Título dado em homenagem e respeito 
à Marise de Santana) 


Fixo olhar ao longe e me vejo perto. 
Agachando-me, quase me arrasto. 
Nesse instante, 
vejo uma caixa de madeira retangular.
Alguns o chamam de baú e
usam-no para guardar
livros, roupas e jóias.
No meu, guardo apenas espantos,
medos, angústias.
Ajeitando-o, 
de um lado para outro,
acabo por abri-lo.
Fazendo isso, 
ouço gritos medrosos.
Vejo caras famintas de animais 
(humanos?)

Olhando pro céu,
visualizo um pássaro metálico.
À minha frente, notebooks e MP X.
Pelas ruas,
prédios de taipa,
inundação seca.
Muita seca.
Muito seco! 
Volto a mim,
e reviro-o com força. 
Minhas mãos são puxadas. 
Meu corpo é puxado. 
Ao passar em Nasdaq, 
embaraço-me em números painéis. 
Debato-me como uma aranha presa em teias
virtualmente reais e escorrego, 
fazendo-me cair em meio a palmas cruas, 
ironicamente,
cozidas pelo sol. 

Indo ao Japão,
me estarreço com o trem bala.
Esta que aqui,
me acorda;
ali, me assusta;
que lá, me amedronta
e acolá,
me mata.
No país do carnaval,
presencio o jegue, 
o burro, o bode. 

Numa foto,
vejo o índio,
o asiático,
o europeu-africano.
Ouço o som da percussão,
do pau-de-chuva...
piano.

Improvisando a harmonia,
crio ritmos dançantes.
Num (mesmo) país, 
de menos dez a
quarenta positivos,
usa-se lã, 
couro e 
peles. 
Usam-se plásticos, 
papelão e 
jornais. 
Alguns são aquecidos,
outros esquecidos.
O condicionador condiciona não ar.
Mas  o corpo. 
Mas a mente. 
Nas marquises,
mais um dorme ao relento 
sem alento.

Por entre as casas,
TV a cabo,
LCD e net.
Fibra ótica,
rádios a pilha,
candeeiros e gatos...
de  luz, de  água...
Entro no carro,
curto um som ambiente. 
Por fora, 
uma flanela é sacudida,
é estendida. 
No ônibus, 
som estridente, 
vozes várias, 
apertos múltiplos. 

Pela orla,
desfruto o mar.
Por Saint Keit, aprecio
uma paisagem enfeitada de palafitas,
de depressões,
geograficamente mentais.

Nas periferias,
sem céus,
só se arranha
nos barracos de madeiras plásticas. 
Na abundância da pobreza, 
se atracam protestantes; 
se esbarram evangélicos e se desejam católicos.
Em meio à fé, 
engodos e interesses desinteressantes.  

No chão de barro vermelho,
mesa-branca.
Aos concretos,
templos-castelos.
Castelos? 
De manhazinha, 
mesa farta,
sucos fartos,
frutas fartas.

Ao meio dia,
mesa farta,
sucos fartos,
frutas fartas.
De noitinha, 
mesa farta,
sucos fartos,
frutas fartas.

Na outra ponta,
café colorido de preto.
Mais tarde,
a cola,
a erva
e a pedra
pintam tudo de uma cor
brancamente pálida.
Com vinte e dois anos calibre, 
três oito. 
Pobre rico.
Rico pobre. 
Não se encontram
só se separam 
no Quinta; 
no Campo 
e no Jardim...
democraticamente
excludente da Saudade
onde micróbios e germes somente 
promovem a união
ao fazer um banquete eclético.