A noite estava fria. Eu tentava fazer uma apresentação, um relatório de Estágio I. Não saía. Não tinha jeito. Eu me auto-boicotava. Olhava email, facebook e o MSN não largava o osso. Pra ouvir, naquele dia frio, me achava um pouco down e, então, o repertório não variou muito, continuava sempre com a mesma temática: social-racial, racial-social, variando apenas algumas batidas: Soul, Reggae, Jazz, Rap. O mídia player se encarregava de tocar as canções de BOB, GOG, Sabotage, O Rappa e Ayo. E eu viajava...saía de mim e continuava no mesmo lugar.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
sábado, 30 de abril de 2011
05:20
Uilians Souza
Por falar em gênero,
me lembrei da carta de minha namorada.
Um pouco suja,
velha,
rasgada.
Por falar em gênero,
e-mail pra responder,
relatório a fazer
e currículo a preencher...
Lembrei.
Lembrei-me então da história a esquecer,
da crônica a dizer,
do poema a desenvolver...
Me lembrei do bilhete na porta da geladeira,
de deitar na esteira,
de falar besteiras.
Por falar, é oral; é direto o tal
Por falar em gênero, me calo.
Me lembrei do testamento do meu pai na gaveta...
Uilians Souza
quarta-feira, 27 de abril de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
quarta-feira, 30 de março de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
19:22
Uilians Souza
Naquela noite de chuva, ao encontrá-lo na sala de bate-papo virtual, eu, ainda empolgado com a primeira experiência, disse-lhe:_ hoje dei uma palestra sobre o dia internacional de luta pela eliminação da discriminação racial. Ele, do outro lado, como numa espécie de desdém, apenas usou uma interjeição e, logo após, completou seu discurso, dessa forma: _Hum! Sei, mas hoje foi o dia de luta contra a chuva, as gotas que caem na nossa cabeça inundando nossas casas, almas e esperanças... Aquilo foi poético. Mas, ao mesmo tempo, dolorido de ler...
Várias foram as imagens que vieram a minha mente. E rapidamente compreendi que aquela curta fala se referia, a nada menos, que a todas as formas de teorias e discursos sem prática. E que, muito além daquela falação, a realidade era dura, era outra e real... E o pior, pude perceber que naquelas curtas linhas, havia um contra-discurso, o qual mostrava claramente que, na maioria das vezes, essas falas e palestras disso e daquilo não conseguem chegar na ponta que mais precisa e, quando chega, de quê adianta?
sexta-feira, 11 de março de 2011
19:03
Uilians Souza
Que seja violenta minha poesia
Que seja ferro e fogo
pau e pedra
Que seja dor,
quando preciso for
Que seja real
Ferozmente natural
Que seja do gueto,
periferia ou favela
que assim seja ela
Quero minha poesia
não vazia
cantando outra Bahia
Que fale de quem mora nas marquises,
e que não pode ter crise
essa poesia sem psicólogo
Que fale da paisagem
nem tão verde
aquela cinzenta e amarronzada
do condomínio bloco à vista
Uma poesia que pega ônibus
e pula janela
poesia que mergulha embaixo do torniquete
pula a borboleta
e pega traseira por falta de transporte
Uma poesia que cata lata e lixo
que o diga Carolina
Essa poesia que cata resto de feira
Que é doméstica. Não mais mucama
Uma poesia escrita a sangue
Aquele derramado todos
dias nas vielas, ladeiras e escadas
fruto de vários tipos de violência
e mostrado como show nos canais de tv
Uma poesia que bate atabaque
e come de mão
que toma a benção
e bate cabeça
uma poesia de pés no chão
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
11:48
Uilians Souza
E então o carnaval de Salvador se aproxima e eu, enquanto residente nessa cidade, não poderia deixar de observar toda a movimentação que se dá para que a tal “festa da carne” aconteça. Aqui vai muito mais um desabafo do que um texto literário em si (se é que é possível extrair literatura de tanta desigualdade, hipocrisia e violência). Pois bem, lá vou eu.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
05:25
Uilians Souza
Hoje estive pensando...
Estive pensando como as coisas são engraçadas
(Leia-se: “interessantes”)
Me disseram para não adjetivar,
quando estivesse escrevendo algo,
pois “carrega demais o texto”
Fiquei a pensar: como não adjetivar?
Como não adjetivar o cabelo crespo,
encaracolado, trançado e black power da menina preta?
Como não enaltecer os lábios grossos do rapaz retinto?
Como esquecer quem são aqueles,
que estão na sarjeta,
sem tetas governamentais ou privadas
Que dormem nas marquises, viadutos e escadas?
Como não adjetivar o samba caliente,
o jeito quente, ardente e
guerreiro da negra gente?
O candomblé baiano,
o jeito africano,
o falar cantado e
estereotipado?
A religião e a poesia negras?
Os bairros pobres?
As escolas sujas?
A cidade imunda?
A universidade racista,
machista, excludente?
Como não?!
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Ira, invasão de privacidade e destruição de objetos sagrados: mais um caso de intolerância religiosa
16:16
Uilians Souza
Por Uilians Souza
Até quando vamos contabilizar os casos de intolerância religiosa com relação ao candomblé neste país? No ano de 2008, em Salvador, a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (SUCOM) destruiu parcialmente o terreiro Oyá Onipo Neto, localizado na Avenida Jorge Amado, no bairro do Imbuí; em 2010, em Ilhéus, a ialorixá Bernadete de Souza, incorporada do orixá Oxossi, foi algemada por um pelotão da Polícia Militar da Bahia e após ter ficado sobre um formigueiro, teve seu corpo arrastado por vários metros; por fim, no dia 31 de dezembro de 2010, no município de Camaçari, o terreiro Ilê Axé Iji Omin Toloyá foi invadido por um evangélico, o qual destruiu vários elementos sagrados daquele ilê e também o carro do babalorixá da casa.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
14:15
Uilians Souza
Eu que amo, que adoro, que te acari(cio)
Que estou e que vivo a seu lado
Que perdoou, que “machuco”
Que encanto e sou en(cantado)
Eu que grito, que anuncio aos quatro ventos...
Que ouço Vander Lee dizer “românticos são poucos”
Eu, eu que não sei o que escrever, o que dizer, o que fazer
quando estou ao seu lado
Que mudei, achei, pensei
Pensei em tudo ou quase tudo.
Que lembro, que “viajo”, que me laço e me entrelaço
em suas pernas e braços
Que me perco entre palavras,
que digo tudo e nada
Que acreditei, que quis e fiz
venho aqui dizer-te, após este preâmbulo,
a frase que você me ensinou a pronunciar:
te amo! Te amo mesmo muito, meu Amor!
Que estou e que vivo a seu lado
Que perdoou, que “machuco”
Que encanto e sou en(cantado)
Eu que grito, que anuncio aos quatro ventos...
Que ouço Vander Lee dizer “românticos são poucos”
Eu, eu que não sei o que escrever, o que dizer, o que fazer
quando estou ao seu lado
Que mudei, achei, pensei
Pensei em tudo ou quase tudo.
Que lembro, que “viajo”, que me laço e me entrelaço
em suas pernas e braços
Que me perco entre palavras,
que digo tudo e nada
Que acreditei, que quis e fiz
venho aqui dizer-te, após este preâmbulo,
a frase que você me ensinou a pronunciar:
te amo! Te amo mesmo muito, meu Amor!
sábado, 6 de novembro de 2010
09:45
Uilians Souza
Poesia Negra incomoda.
Ah! Como poesia negra incomoda...
As pessoas relutam,
disfarçam,
mas é claro que se incomodam.
Elas querem uma poesia universal.
Universal de quem?
Pra quem?
De onde?
E por quê?
Kafka, Drummond, Bourdieu,
todos eles (homens)
não falaram de um lugar?
De uma cultura?
De uma visão de mundo?
É por isso que insisto:
Não quero ser universal!
Sou daqui, local.
Falo de um Castelo,
nem tão branco, é fato.
De uma Salvador,
que nem sempre salva...
E de uma Bahia extremamente estereotipada
que se quer revisitada_ e por que não?_ revisada.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
06:04
Uilians Souza
Por Uilians Souza e Sérgio Bezerra
O Sextas Poéticas é um encontro quinzenal que acontece para recitar, cantar, contar e viver a arte em suas várias possibilidades; capitaneado por um grupo de estudantes do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia e uma de pedagogia, da Uneb, no Pátio do IL/UFBA. O ‘Sextas’ ocorre pontualmente às 18 horas, obviamente às sextas-feiras.
Em 2009, alguns membros desse grupo reuniam-se em esteiras, sobre a grama, em frente do PAF III e à Biblioteca reitor Macedo Costa para recitar, cantar e conversar sobre poesia, arte e cultura no fim de tarde das sextas-feiras. Um dia surgiu a idéia de “entrar” no prédio com aquele encontro, ampliando-o.
Em 2009, alguns membros desse grupo reuniam-se em esteiras, sobre a grama, em frente do PAF III e à Biblioteca reitor Macedo Costa para recitar, cantar e conversar sobre poesia, arte e cultura no fim de tarde das sextas-feiras. Um dia surgiu a idéia de “entrar” no prédio com aquele encontro, ampliando-o.quinta-feira, 14 de outubro de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
18:38
Uilians Souza
Aquela brusca notícia, me fez parar e refletir por um instante, o qual pareceu mais uma eternidade. Senti um aperto no peito e, ao mesmo tempo, um desânimo que me tomava todo o corpo. A partir dali, entrei numa espécie de túnel do tempo e me lembrei do passado com tanta intensidade, que chegava quase que a reviver aqueles momentos de infância, não tão distantes, nos quais eu ouvia aquela rouca e serena voz dizendo: _"Opa, Nininho!", numa espécie de saudação nos momentos em que eu passava pela frente de sua casa. Apelido esse, que adquiri ainda quando criança, mas que caiu em desuso, permanecendo apenas no meio da velha guarda da comunidade.
E lá, sempre estava ele, também sereno, a observar toda a comunidade como um tipo de ancião, apesar de em muitas ocasiões não ter sido tratado como tal, visto que, sofria de um mal que, ainda hoje, acomete a muitos negros e afrodescentes em várias partes do país: o alcoolismo; esse que muitas vezes aparece como uma "válvula de escape"; no sentido de que contribui para o esquecimento de variados problemas diários e que acaba por causar outros, principalmente os familiares.
Seu nome: Domingos, mais conhecido como "Seu Martin da Vila", uma pessoa querida e que, com certeza, vai deixar saudades naqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo.
Asé, Seu Martin! Descanse em paz!
sábado, 7 de agosto de 2010
10:54
Uilians Souza
(Título dado em homenagem e respeito
à Marise de Santana)
Fixo olhar ao longe e me vejo perto.
Agachando-me, quase me arrasto.
Nesse instante,
vejo uma caixa de madeira retangular.
Alguns o chamam de baú e
usam-no para guardar
livros, roupas e jóias.
No meu, guardo apenas espantos,
medos, angústias.
Alguns o chamam de baú e
usam-no para guardar
livros, roupas e jóias.
No meu, guardo apenas espantos,
medos, angústias.
Ajeitando-o,
de um lado para outro,
acabo por abri-lo.
Fazendo isso,
ouço gritos medrosos.
Vejo caras famintas de animais
(humanos?)
Olhando pro céu,
visualizo um pássaro metálico.
À minha frente, notebooks e MP X.
Pelas ruas,
prédios de taipa,
inundação seca.
Muita seca.
Muito seco!
Volto a mim,
e reviro-o com força.
Minhas mãos são puxadas.
Meu corpo é puxado.
Ao passar em Nasdaq,
embaraço-me em números painéis.
Debato-me como uma aranha presa em teias
virtualmente reais e escorrego,
fazendo-me cair em meio a palmas cruas,
ironicamente,
cozidas pelo sol.
Indo ao Japão,
me estarreço com o trem bala.
Esta que aqui,
me acorda;
ali, me assusta;
que lá, me amedronta
e acolá,
me mata.
No país do carnaval,
presencio o jegue,
o burro, o bode.
Numa foto,
vejo o índio,
o asiático,
o europeu-africano.
Ouço o som da percussão,
do pau-de-chuva...
piano.
Improvisando a harmonia,
crio ritmos dançantes.
Num (mesmo) país,
de menos dez a
quarenta positivos,
usa-se lã,
couro e
peles.
Usam-se plásticos,
papelão e
jornais.
Alguns são aquecidos,
outros esquecidos.
O condicionador condiciona não ar.
Mas o corpo.
Mas a mente.
Nas marquises,
mais um dorme ao relento
sem alento.
Por entre as casas,
TV a cabo,
LCD e net.
Fibra ótica,
rádios a pilha,
candeeiros e gatos...
de luz, de água...
Entro no carro,
curto um som ambiente.
Por fora,
uma flanela é sacudida,
é estendida.
No ônibus,
som estridente,
vozes várias,
apertos múltiplos.
Pela orla,
desfruto o mar.
Por Saint Keit, aprecio
uma paisagem enfeitada de palafitas,
de depressões,
geograficamente mentais.
Nas periferias,
sem céus,
só se arranha
nos barracos de madeiras plásticas.
Na abundância da pobreza,
se atracam protestantes;
se esbarram evangélicos e se desejam católicos.
Em meio à fé,
engodos e interesses desinteressantes.
No chão de barro vermelho,
mesa-branca.
Aos concretos,
templos-castelos.
Castelos?
mesa-branca.
Aos concretos,
templos-castelos.
Castelos?
De manhazinha,
mesa farta,
sucos fartos,
frutas fartas.
Ao meio dia,
mesa farta,
sucos fartos,
frutas fartas.
mesa farta,
sucos fartos,
frutas fartas.
De noitinha,
mesa farta,
sucos fartos,
frutas fartas.
Na outra ponta,
café colorido de preto.
Mais tarde,
a cola,
a erva
e a pedra
pintam tudo de uma cor
brancamente pálida.
Com vinte e dois anos calibre,
três oito.
Pobre rico.
Rico pobre.
Não se encontram
só se separam
no Quinta;
no Campo
e no Jardim...
democraticamente
excludente da Saudade
onde micróbios e germes somente
promovem a união
ao fazer um banquete eclético.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
13:09
Uilians Souza
Meus olhos entravam nos seus e se perdiam.
Às vezes, saíam, pulavam, desciam...
Às vezes, saíam, pulavam, desciam...
Desciam pela sua nuca e pescoço.
Paravam em seus seios fartos peitos
Sensação que me transbordava a boca
Promovendo pensamentos insanos
De repente, voltava a mim,
sacudia o que controla meu corpo,
olhava o entorno e me compunha...
um tanto perdido naquele espaço
depois de já ter me encontrado.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
08:33
Uilians Souza
Não consigo. Não consigo ver essa foto e não me indignar. Não me revoltar enquanto adepto do candomblé. Enquanto periférico, enquanto negro que sou. Me vem um sentimento forte de tristeza e, ao mesmo tempo, um sentimento de que é preciso lutarmos para que coisas como essas deixem de acontecer em nossa cidade, nosso estado, nosso país e_ por que não?_ em nosso mundo! Tem fé!! Tenho fé de que as forças estão aí no ar, no mato, no vento e em todos os elementos da natureza. E que, sendo assim, aqueles que atentam contra Ela, um dia hão de pagar!!
Saiba mais no link: http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=844491#
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