E então o carnaval de Salvador se aproxima e eu, enquanto residente nessa cidade, não poderia deixar de observar toda a movimentação que se dá para que a tal “festa da carne” aconteça. Aqui vai muito mais um desabafo do que um texto literário em si (se é que é possível extrair literatura de tanta desigualdade, hipocrisia e violência). Pois bem, lá vou eu.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
05:25
Uilians Souza
Hoje estive pensando...
Estive pensando como as coisas são engraçadas
(Leia-se: “interessantes”)
Me disseram para não adjetivar,
quando estivesse escrevendo algo,
pois “carrega demais o texto”
Fiquei a pensar: como não adjetivar?
Como não adjetivar o cabelo crespo,
encaracolado, trançado e black power da menina preta?
Como não enaltecer os lábios grossos do rapaz retinto?
Como esquecer quem são aqueles,
que estão na sarjeta,
sem tetas governamentais ou privadas
Que dormem nas marquises, viadutos e escadas?
Como não adjetivar o samba caliente,
o jeito quente, ardente e
guerreiro da negra gente?
O candomblé baiano,
o jeito africano,
o falar cantado e
estereotipado?
A religião e a poesia negras?
Os bairros pobres?
As escolas sujas?
A cidade imunda?
A universidade racista,
machista, excludente?
Como não?!
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Ira, invasão de privacidade e destruição de objetos sagrados: mais um caso de intolerância religiosa
16:16
Uilians Souza
Por Uilians Souza
Até quando vamos contabilizar os casos de intolerância religiosa com relação ao candomblé neste país? No ano de 2008, em Salvador, a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (SUCOM) destruiu parcialmente o terreiro Oyá Onipo Neto, localizado na Avenida Jorge Amado, no bairro do Imbuí; em 2010, em Ilhéus, a ialorixá Bernadete de Souza, incorporada do orixá Oxossi, foi algemada por um pelotão da Polícia Militar da Bahia e após ter ficado sobre um formigueiro, teve seu corpo arrastado por vários metros; por fim, no dia 31 de dezembro de 2010, no município de Camaçari, o terreiro Ilê Axé Iji Omin Toloyá foi invadido por um evangélico, o qual destruiu vários elementos sagrados daquele ilê e também o carro do babalorixá da casa.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
14:15
Uilians Souza
Eu que amo, que adoro, que te acari(cio)
Que estou e que vivo a seu lado
Que perdoou, que “machuco”
Que encanto e sou en(cantado)
Eu que grito, que anuncio aos quatro ventos...
Que ouço Vander Lee dizer “românticos são poucos”
Eu, eu que não sei o que escrever, o que dizer, o que fazer
quando estou ao seu lado
Que mudei, achei, pensei
Pensei em tudo ou quase tudo.
Que lembro, que “viajo”, que me laço e me entrelaço
em suas pernas e braços
Que me perco entre palavras,
que digo tudo e nada
Que acreditei, que quis e fiz
venho aqui dizer-te, após este preâmbulo,
a frase que você me ensinou a pronunciar:
te amo! Te amo mesmo muito, meu Amor!
Que estou e que vivo a seu lado
Que perdoou, que “machuco”
Que encanto e sou en(cantado)
Eu que grito, que anuncio aos quatro ventos...
Que ouço Vander Lee dizer “românticos são poucos”
Eu, eu que não sei o que escrever, o que dizer, o que fazer
quando estou ao seu lado
Que mudei, achei, pensei
Pensei em tudo ou quase tudo.
Que lembro, que “viajo”, que me laço e me entrelaço
em suas pernas e braços
Que me perco entre palavras,
que digo tudo e nada
Que acreditei, que quis e fiz
venho aqui dizer-te, após este preâmbulo,
a frase que você me ensinou a pronunciar:
te amo! Te amo mesmo muito, meu Amor!
sábado, 6 de novembro de 2010
09:45
Uilians Souza
Poesia Negra incomoda.
Ah! Como poesia negra incomoda...
As pessoas relutam,
disfarçam,
mas é claro que se incomodam.
Elas querem uma poesia universal.
Universal de quem?
Pra quem?
De onde?
E por quê?
Kafka, Drummond, Bourdieu,
todos eles (homens)
não falaram de um lugar?
De uma cultura?
De uma visão de mundo?
É por isso que insisto:
Não quero ser universal!
Sou daqui, local.
Falo de um Castelo,
nem tão branco, é fato.
De uma Salvador,
que nem sempre salva...
E de uma Bahia extremamente estereotipada
que se quer revisitada_ e por que não?_ revisada.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
06:04
Uilians Souza
Por Uilians Souza e Sérgio Bezerra
O Sextas Poéticas é um encontro quinzenal que acontece para recitar, cantar, contar e viver a arte em suas várias possibilidades; capitaneado por um grupo de estudantes do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia e uma de pedagogia, da Uneb, no Pátio do IL/UFBA. O ‘Sextas’ ocorre pontualmente às 18 horas, obviamente às sextas-feiras.
Em 2009, alguns membros desse grupo reuniam-se em esteiras, sobre a grama, em frente do PAF III e à Biblioteca reitor Macedo Costa para recitar, cantar e conversar sobre poesia, arte e cultura no fim de tarde das sextas-feiras. Um dia surgiu a idéia de “entrar” no prédio com aquele encontro, ampliando-o.
Em 2009, alguns membros desse grupo reuniam-se em esteiras, sobre a grama, em frente do PAF III e à Biblioteca reitor Macedo Costa para recitar, cantar e conversar sobre poesia, arte e cultura no fim de tarde das sextas-feiras. Um dia surgiu a idéia de “entrar” no prédio com aquele encontro, ampliando-o.quinta-feira, 14 de outubro de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
18:38
Uilians Souza
Aquela brusca notícia, me fez parar e refletir por um instante, o qual pareceu mais uma eternidade. Senti um aperto no peito e, ao mesmo tempo, um desânimo que me tomava todo o corpo. A partir dali, entrei numa espécie de túnel do tempo e me lembrei do passado com tanta intensidade, que chegava quase que a reviver aqueles momentos de infância, não tão distantes, nos quais eu ouvia aquela rouca e serena voz dizendo: _"Opa, Nininho!", numa espécie de saudação nos momentos em que eu passava pela frente de sua casa. Apelido esse, que adquiri ainda quando criança, mas que caiu em desuso, permanecendo apenas no meio da velha guarda da comunidade.
E lá, sempre estava ele, também sereno, a observar toda a comunidade como um tipo de ancião, apesar de em muitas ocasiões não ter sido tratado como tal, visto que, sofria de um mal que, ainda hoje, acomete a muitos negros e afrodescentes em várias partes do país: o alcoolismo; esse que muitas vezes aparece como uma "válvula de escape"; no sentido de que contribui para o esquecimento de variados problemas diários e que acaba por causar outros, principalmente os familiares.
Seu nome: Domingos, mais conhecido como "Seu Martin da Vila", uma pessoa querida e que, com certeza, vai deixar saudades naqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo.
Asé, Seu Martin! Descanse em paz!
sábado, 7 de agosto de 2010
10:54
Uilians Souza
(Título dado em homenagem e respeito
à Marise de Santana)
Fixo olhar ao longe e me vejo perto.
Agachando-me, quase me arrasto.
Nesse instante,
vejo uma caixa de madeira retangular.
Alguns o chamam de baú e
usam-no para guardar
livros, roupas e jóias.
No meu, guardo apenas espantos,
medos, angústias.
Alguns o chamam de baú e
usam-no para guardar
livros, roupas e jóias.
No meu, guardo apenas espantos,
medos, angústias.
Ajeitando-o,
de um lado para outro,
acabo por abri-lo.
Fazendo isso,
ouço gritos medrosos.
Vejo caras famintas de animais
(humanos?)
Olhando pro céu,
visualizo um pássaro metálico.
À minha frente, notebooks e MP X.
Pelas ruas,
prédios de taipa,
inundação seca.
Muita seca.
Muito seco!
Volto a mim,
e reviro-o com força.
Minhas mãos são puxadas.
Meu corpo é puxado.
Ao passar em Nasdaq,
embaraço-me em números painéis.
Debato-me como uma aranha presa em teias
virtualmente reais e escorrego,
fazendo-me cair em meio a palmas cruas,
ironicamente,
cozidas pelo sol.
Indo ao Japão,
me estarreço com o trem bala.
Esta que aqui,
me acorda;
ali, me assusta;
que lá, me amedronta
e acolá,
me mata.
No país do carnaval,
presencio o jegue,
o burro, o bode.
Numa foto,
vejo o índio,
o asiático,
o europeu-africano.
Ouço o som da percussão,
do pau-de-chuva...
piano.
Improvisando a harmonia,
crio ritmos dançantes.
Num (mesmo) país,
de menos dez a
quarenta positivos,
usa-se lã,
couro e
peles.
Usam-se plásticos,
papelão e
jornais.
Alguns são aquecidos,
outros esquecidos.
O condicionador condiciona não ar.
Mas o corpo.
Mas a mente.
Nas marquises,
mais um dorme ao relento
sem alento.
Por entre as casas,
TV a cabo,
LCD e net.
Fibra ótica,
rádios a pilha,
candeeiros e gatos...
de luz, de água...
Entro no carro,
curto um som ambiente.
Por fora,
uma flanela é sacudida,
é estendida.
No ônibus,
som estridente,
vozes várias,
apertos múltiplos.
Pela orla,
desfruto o mar.
Por Saint Keit, aprecio
uma paisagem enfeitada de palafitas,
de depressões,
geograficamente mentais.
Nas periferias,
sem céus,
só se arranha
nos barracos de madeiras plásticas.
Na abundância da pobreza,
se atracam protestantes;
se esbarram evangélicos e se desejam católicos.
Em meio à fé,
engodos e interesses desinteressantes.
No chão de barro vermelho,
mesa-branca.
Aos concretos,
templos-castelos.
Castelos?
mesa-branca.
Aos concretos,
templos-castelos.
Castelos?
De manhazinha,
mesa farta,
sucos fartos,
frutas fartas.
Ao meio dia,
mesa farta,
sucos fartos,
frutas fartas.
mesa farta,
sucos fartos,
frutas fartas.
De noitinha,
mesa farta,
sucos fartos,
frutas fartas.
Na outra ponta,
café colorido de preto.
Mais tarde,
a cola,
a erva
e a pedra
pintam tudo de uma cor
brancamente pálida.
Com vinte e dois anos calibre,
três oito.
Pobre rico.
Rico pobre.
Não se encontram
só se separam
no Quinta;
no Campo
e no Jardim...
democraticamente
excludente da Saudade
onde micróbios e germes somente
promovem a união
ao fazer um banquete eclético.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
13:09
Uilians Souza
Meus olhos entravam nos seus e se perdiam.
Às vezes, saíam, pulavam, desciam...
Às vezes, saíam, pulavam, desciam...
Desciam pela sua nuca e pescoço.
Paravam em seus seios fartos peitos
Sensação que me transbordava a boca
Promovendo pensamentos insanos
De repente, voltava a mim,
sacudia o que controla meu corpo,
olhava o entorno e me compunha...
um tanto perdido naquele espaço
depois de já ter me encontrado.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
08:33
Uilians Souza
Não consigo. Não consigo ver essa foto e não me indignar. Não me revoltar enquanto adepto do candomblé. Enquanto periférico, enquanto negro que sou. Me vem um sentimento forte de tristeza e, ao mesmo tempo, um sentimento de que é preciso lutarmos para que coisas como essas deixem de acontecer em nossa cidade, nosso estado, nosso país e_ por que não?_ em nosso mundo! Tem fé!! Tenho fé de que as forças estão aí no ar, no mato, no vento e em todos os elementos da natureza. E que, sendo assim, aqueles que atentam contra Ela, um dia hão de pagar!!
Saiba mais no link: http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=844491#
quinta-feira, 27 de maio de 2010
08:05
Uilians Souza
Numa noite
ou dia
Numa praça, rua,
ou casa
Olhos vidrados
testas crispadas
As mãos seguram o queixo,
joelho e face
Ali, um artista famoso
ou pessoa comum
se exprime
se revela
se exibe
Seu corpo gira,
se ergue,
se curva
Seus dedos e mãos se mexem,
miram o céu,
o chão, a você...
a mim
Suas pernas pulam
Seus pés pisam forte
como suas palavras
Ali, ele é único.
Ele é ele.
Ele é outros.
E se transforma em menino
mulher
animal
Ali, se é novo, é velho.
Se velho, novo.
Se um ou outros,
poeta.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
07:39
Uilians Souza
É muito fácil!!!
Muito fácil falar de ressentimento com a barriga cheia.
É muito, mas muito fácil falar de fragmentação da identidade
quando não se tem a necessidade de se afirmar, pois se está do outro lado.
É muito fácil ser cético
quando não se sente no corpo as vibrações de outro corpo.
É muito fácil ser homofóbico
quando não se entende os porquês do outro.
É muito...muito difícil nos afirmarmos enquanto racistas, machistas e tantos outros "-istas" existentes.
terça-feira, 30 de março de 2010
12:22
Uilians Souza
As mãos se tocam
Os olhares se cruzam
Repentinos arrepios se registram
Corpos trêmulos se apertam,
se apertam
Sente-se o outro.
Sente-se a si.
A emoção se eleva
Os olhos se fecham
Enfim, um beijo,
dois, três...
Naturalmente,
num movimento libertário,
movem-se os braços e
as pernas.
Roupas ao longe,
sente-se o outro.
Sente-se a outra.
Peles molhadas,
carinhos intensos,
Perfeito encaixe,
Balanços marítimos,
Abstração concreta.
A língua lambe os lábios,
lambe a nuca, lambe.
Os dedos tocam e tocam e tocam...
Tocam leve, quase escorregam.
Do pescoço aos pés,
Faz seu percurso
Dos pés ao pescoço,
seu caminho.
Nesse vai e vem,
cinturas sensíveis
se acham.
Delírios vários,
prazeres múltiplos
Faltam palavras
Surgem sussurros
Surgem gemidos
Sobra respiração
Fantasias diversas num
Kamasultra ilimitável
na pia de prato,
na areia da praia,
em meio ao mato...
tudo é possível
tudo é propício
tudo é provável
Violência sutil
Dois corpos...
Um corpo.
Os olhares se cruzam
Repentinos arrepios se registram
Corpos trêmulos se apertam,
se apertam
Sente-se o outro.
Sente-se a si.
A emoção se eleva
Os olhos se fecham
Enfim, um beijo,
dois, três...
Naturalmente,
num movimento libertário,
movem-se os braços e
as pernas.
Roupas ao longe,
sente-se o outro.
Sente-se a outra.
Peles molhadas,
carinhos intensos,
Perfeito encaixe,
Balanços marítimos,
Abstração concreta.
A língua lambe os lábios,
lambe a nuca, lambe.
Os dedos tocam e tocam e tocam...
Tocam leve, quase escorregam.
Do pescoço aos pés,
Faz seu percurso
Dos pés ao pescoço,
seu caminho.
Nesse vai e vem,
cinturas sensíveis
se acham.
Delírios vários,
prazeres múltiplos
Faltam palavras
Surgem sussurros
Surgem gemidos
Sobra respiração
Fantasias diversas num
Kamasultra ilimitável
na pia de prato,
na areia da praia,
em meio ao mato...
tudo é possível
tudo é propício
tudo é provável
Violência sutil
Dois corpos...
Um corpo.
terça-feira, 23 de março de 2010
10:53
Uilians Souza
Amazonenses sementes
nordestina cera sendo,
enfeita menino, menina
chinesas plásticas colorem
as coreanas brilhantes reluzem
forma-se um círculo
em segredo,
com segredo,
pro sagrado
Em roda samba
capoeirando na ginga
do asé, mandinga
O Mandingo
Amuleto pra uns
enfeitando outros
é fashion
As brancas vermelhas
guerreiras pacíficas
Amarelas azuis
trapaçantes justiceiras
de segunda a sexta, sagradas
de domingo a sábado
às vezes profanam
respeito e fé,
tem asé
e ousadia
da África à Bahia,
Guia.
nordestina cera sendo,
enfeita menino, menina
chinesas plásticas colorem
as coreanas brilhantes reluzem
forma-se um círculo
em segredo,
com segredo,
pro sagrado
Em roda samba
capoeirando na ginga
do asé, mandinga
O Mandingo
Amuleto pra uns
enfeitando outros
é fashion
As brancas vermelhas
guerreiras pacíficas
Amarelas azuis
trapaçantes justiceiras
de segunda a sexta, sagradas
de domingo a sábado
às vezes profanam
respeito e fé,
tem asé
e ousadia
da África à Bahia,
Guia.
Uilians Souza
quarta-feira, 17 de março de 2010
12:00
Uilians Souza
Eu vi.
Eu vi um homem barbudo,
desanimado,
corpo curvado
sem olhar nos olhos...
Suas sujas roupas
apontavam o descaso
pela vida não vivida...
Aquele homem comia devagar
com sua descrença
na crença de um mundo melhor.
Com seu cansaço
daquela vida de trapos...
e sua entrega
perante a vida
tão dura e sem saída.
Aquele negro homem
número
abria o saco,
levantava o garfo,
comia sem gosto
engolia o desgosto
da rua mais sua.
que minha...
Coletava arroz, feijão,
de tão junto amigo irmão
e comia, comia,
apenas comia
Aquele homem era um soco
no rosto
sem cama
nem gatos
em meio a ratos
servia de espelho quebrando o estético
com choque mais que elétrico
Aquele Sem Teto sem
sem teto.
Eu vi um homem barbudo,
desanimado,
corpo curvado
sem olhar nos olhos...
Suas sujas roupas
apontavam o descaso
pela vida não vivida...
Aquele homem comia devagar
com sua descrença
na crença de um mundo melhor.
Com seu cansaço
daquela vida de trapos...
e sua entrega
perante a vida
tão dura e sem saída.
Aquele negro homem
número
abria o saco,
levantava o garfo,
comia sem gosto
engolia o desgosto
da rua mais sua.
que minha...
Coletava arroz, feijão,
de tão junto amigo irmão
e comia, comia,
apenas comia
Aquele homem era um soco
no rosto
sem cama
nem gatos
em meio a ratos
servia de espelho quebrando o estético
com choque mais que elétrico
Aquele Sem Teto sem
sem teto.
segunda-feira, 23 de março de 2009
13:58
Uilians Souza
Quem escreve, escreve de algum lugar. Expressa uma ponto de vista sobre determinado assunto ou realidade. Sendo assim, falarei um pouco da minha experiência enquanto passageiro de um ônibus de uma determinada empresa de Salvador, que faz a linha Estação Pirajá-Barra. O chamado Barra 3.
Aqueles que precisam se dirigir à Barra ou passar pelo percurso, sabem o quão difícil é utilizar esse coletivo. Em primeiro lugar, é necessário chegar cedo à Estação_o que não significa, pegá-lo vazio, ir sentado. Em segundo, ao invés de uma fila, existem várias. Em vários formatos, inclusive em forma de espiral. Em terceiro, é preciso resistir a empurrões, ponta-pés e palavrões. Muitas vezes, é necessário ter algumas noções de defesa pessoal, ter bom condicionamento físico e saber respeirar, de fato.
Dizem que o tal é igual coração de mãe: "sempre cabe mais um". O que é pior e incrível, é que isso se concretiza realmente. Não se sabe como, mas num ônibus que tem cerca de 36 cadeiras e um espaço limitado nos corredores e escadas, quando os passageiros começam a adentrá-lo, parece que não mais vão parar.
Num determinado momento, o ônibus entope, enche, lota. Interessante é que as pessoas já estão tão acostumadas que, por incrível que pareça, dizem que "o ônibus está vazio". Com mais ou menos dez passageiros, literalmente, pendurados na porta do meio, lá vai ele, devagar, simplesmente para sair do tumulto. Então, abre-se a porta da frente, "pois não se pode viajar com a porta aberta". E aqueles homens e mulheres-aranhas correm desesperadamente, tropeçam, mas chegam. Quando todos entram, ele segue. Agora, tem-se uma verdadeira peça teatral andante_ ou por que não uma novela? Visto que possui vários capítulos e discussões diversas, sejam elas de mulher com mulher; homem e mulher; homem com homem. Porém, não existem apenas confusões. Têm-se também cenas cômicas: "Ah! Eu não vou empurrar ninguém, eu não sou cavala"_sem preconceito linguistico até, pois, porque, é viável na língua, mas "cavala". Ou então: "Esse ônibus dá até gravidez". (hum???)......
Campinas, BR, Acesso Norte, Bonocô, Ogunjá...são alguns dos lugares nos quais o referido ônibus passa. Nesse percurso, o coletivo que já estava lotado, superlota. E o motorista, coitado! Como sua mãe sofre... O pobre homem fica sem saber o que fazer. Se deixa pessoas no ponto e corre o risco de ser advertido na empresa, ou se entope mais e o ônibus e tem, mais e mais sua mãe, mulher e filhas xingadas.
Graças a deus, aos orixás e a todos os santos, chega-se à Vasco; Garibaldi; Ademar de Barros e então, o "Barra 3" começa a esvaziar. Os passageiros se dirigem a seus destinos mas com uma certeza na mente: a de que a viagem de volta será, também, árdua, cômica, agradável ou irritante, e que, apesar de tudo, "todo ano tem carnaval".
Num determinado momento, o ônibus entope, enche, lota. Interessante é que as pessoas já estão tão acostumadas que, por incrível que pareça, dizem que "o ônibus está vazio". Com mais ou menos dez passageiros, literalmente, pendurados na porta do meio, lá vai ele, devagar, simplesmente para sair do tumulto. Então, abre-se a porta da frente, "pois não se pode viajar com a porta aberta". E aqueles homens e mulheres-aranhas correm desesperadamente, tropeçam, mas chegam. Quando todos entram, ele segue. Agora, tem-se uma verdadeira peça teatral andante_ ou por que não uma novela? Visto que possui vários capítulos e discussões diversas, sejam elas de mulher com mulher; homem e mulher; homem com homem. Porém, não existem apenas confusões. Têm-se também cenas cômicas: "Ah! Eu não vou empurrar ninguém, eu não sou cavala"_sem preconceito linguistico até, pois, porque, é viável na língua, mas "cavala". Ou então: "Esse ônibus dá até gravidez". (hum???)......
Campinas, BR, Acesso Norte, Bonocô, Ogunjá...são alguns dos lugares nos quais o referido ônibus passa. Nesse percurso, o coletivo que já estava lotado, superlota. E o motorista, coitado! Como sua mãe sofre... O pobre homem fica sem saber o que fazer. Se deixa pessoas no ponto e corre o risco de ser advertido na empresa, ou se entope mais e o ônibus e tem, mais e mais sua mãe, mulher e filhas xingadas.
Graças a deus, aos orixás e a todos os santos, chega-se à Vasco; Garibaldi; Ademar de Barros e então, o "Barra 3" começa a esvaziar. Os passageiros se dirigem a seus destinos mas com uma certeza na mente: a de que a viagem de volta será, também, árdua, cômica, agradável ou irritante, e que, apesar de tudo, "todo ano tem carnaval".
sexta-feira, 13 de março de 2009
14:15
Uilians Souza
E Barack Hussein Obama ganhou a eleição. Um homem negro, nos Estados Unidos, ganhou a eleição e se tornou presidente do país. A "América" agora tem um negro na casa branca. Todavia, não se pode esquecer o histórico daquele país, no qual grupos como a Ku Klux Klan incendiavam casas e matavam os ascendentes do presidente atual.
14:08
Uilians Souza
Deixo a chuva molhando os corpos
dos que têm medo de adoecer...
Deixo a onda batendo nas pedras,
aos que negam o conhecer...
Aos corajosos,
o balanço de um barco em meio ao mar.
Uma criança gargalhando,
aos infelizes...
Um velho sorrindo,
aos que fogem da velhice...
Aos que não valorizam o simples,
deixo o prazer de comer de mão.
Deixo um pássaro cantando
aos insensíveis.
Deixo a lua cheia
aos que não olham "pro céu".
Aos atenciosos,
deixo a folha caindo.
Um abraço forte
aos que buscam um contato.
O presente desejado
à criança carente.
Deixo um olhar profundo
aos que não olham nos olhos.
Deixo um lar
aos que somente têm a rua.
Aos catadores de lixo,
uma mesa farta.
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